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Street Fighter (2026): uma galhofa divertida que esqueceu de lutar!

Com personagens fiéis aos jogos, humor exagerado e situações completamente absurdas, Street Fighter diverte quem entra na brincadeira. O problema é que, entre tantas piadas, as lutas acabam ficando em segundo plano.

Por Blanco 17.10.2026 Leitura de 4 min
Pôster de Street Fighter (2026) com o elenco caracterizado como os lutadores do jogo Street
Fighter
Imagem: Paramount Pictures / divulgação

Uma galhofa que sabe o que quer ser

Street Fighter (2026) é um bom filme, desde que você saiba o que esperar dele!

Fui ao cinema na estreia e não saí de lá exatamente surpreso. Já imaginava o que encontraria: um bom e velho filme galhofa, recheado de piadinhas de quinta série, situações absurdas e um exagero nas ações que deixaria até aquelas clássicas comédias pastelão chinesas no chinelo.

E quer saber? Isso é bom!

O filme abraça essa proposta sem vergonha nenhuma, e boa parte da diversão está justamente em não levar tudo tão a sério. É uma experiência feita para quem gosta de humor bobo, personagens caricatos e situações que desafiam qualquer lógica.

Mas existe um pequeno problema: às vezes, a produção parece tão preocupada em fazer graça que acaba deixando outros elementos importantes de lado.

Personagens visualmente fiéis, mas pouco aproveitados

Um dos maiores acertos do filme está na caracterização dos personagens.

Vidyut Jammwal como Dhalsim no pôster do filme: careca, com pintura vermelha no rosto e na cabeça, argolas nas orelhas e braceletes, numa pose de luta
Vidyut Jammwal raspou a cabeça para viver Dhalsim, com a pintura vermelha, as argolas e os braceletes do jogo.Pôster: Legendary / Paramount Pictures

É muito legal perceber que a produção não teve vergonha de buscar semelhanças com os lutadores dos jogos, preservando seus figurinos e características mais marcantes.

Guile, interpretado por Cody Rhodes, Dhalsim, vivido por Vidyut Jammwal, e Zangief, interpretado por Olivier Richters, são ótimos exemplos desse cuidado. Até mesmo Curtis "50 Cent" Jackson, no papel de Balrog, ficou bastante convincente visualmente!

É gratificante ver uma adaptação que não tenta reinventar completamente seus personagens para torná-los mais realistas. Afinal, estamos falando de Street Fighter, uma franquia que nunca teve vergonha de ser exagerada.

Pena que o roteiro não recebeu esse mesmo carinho!

Apesar de considerar que o elenco entregou bem aquilo que lhe foi proposto, alguns personagens acabam se perdendo no humor e recebem pouco desenvolvimento. Em certos momentos, parecem estar ali apenas para protagonizar uma piada, quando poderiam ter sido muito mais interessantes.

E não estou esperando uma história extremamente profunda, mas acredito que até uma comédia despretensiosa precisa saber aproveitar seus personagens.

Muitas piadas, poucas lutas!

Agora chegamos ao que considero a maior decepção do filme.

Para um longa chamado Street Fighter, temos pouquíssimas lutas!

Os confrontos são escassos e, quando acontecem, nem sempre conseguem transmitir aquela intensidade que esperamos de uma adaptação de uma das franquias de luta mais famosas dos videogames.

O que mais me incomodou, entretanto, foi perceber que alguns combates simplesmente acontecem fora da tela. Em vez de acompanharmos a ação, recebemos o resultado por meio de comentários ou da narração.

Sinceramente, é uma oportunidade desperdiçada!

Estamos falando de personagens conhecidos por seus estilos de combate, golpes especiais e rivalidades. Ver esses lutadores se enfrentando deveria ser um dos grandes atrativos da produção.

E olha que o filme nem precisaria abandonar a comédia para entregar boas sequências de ação. O exagero característico de Street Fighter poderia funcionar perfeitamente em lutas tão absurdas quanto divertidas.

Afinal, fui ao cinema para ver esses personagens distribuindo golpes absurdos, não para ouvir alguém contando como uma luta terminou!

M. Bison: cadê aquele vilão que impunha respeito?

Outro personagem que acabou me decepcionando foi M. Bison, interpretado por David Dastmalchian.

Quem conhece os jogos sabe que Bison é aquele tipo de vilão que chega impondo respeito. Sua presença é ameaçadora, sua aparência é marcante e ele tem tudo para ser uma figura intimidadora.

Já no filme... bom, digamos que as coisas são um pouco diferentes!

M. Bison em Street Fighter 6, com o uniforme vermelho clássico, ombreiras de metal e porte gigantesco No jogo
David Dastmalchian como M. Bison no filme, de uniforme e quepe bordô, sentado num trono No filme
O mesmo uniforme, outra presença: M. Bison em Street Fighter 6 e David Dastmalchian no filme.Imagens: Capcom (Street Fighter 6) e Paramount Pictures

O personagem não convence tanto como ameaça e, visualmente, também ficou distante do que eu esperava. Sem exagero, tive a impressão de que o ator tinha um terço do tamanho do Bison dos games!

E não digo isso como uma crítica ao trabalho de Dastmalchian. Acredito que o problema esteja muito mais na maneira como o personagem foi escrito e apresentado.

Claro que ninguém precisa ser uma cópia perfeita do videogame, mas bem que poderiam ter preservado um pouco daquela presença intimidadora que tornou Bison tão icônico.

Veredito: vale a pena assistir?

Street Fighter (2026) é aquele tipo de filme que você precisa assistir com as expectativas no lugar certo. Não espere uma grande adaptação cinematográfica, mas uma comédia despretensiosa que consegue arrancar boas risadas.

Se você gosta de uma boa galhofa, vale a ida ao cinema. Caso contrário, recomendo esperar sua chegada ao streaming.

6,0
Nossa nota · Ok

No fim das contas, Street Fighter diverte mais como comédia do que como um filme de luta.

Comentários

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